Resumo pré prova do mestrado – parte 1

  • Como eu havia mencionado no post anterior, vamos dar início a série de resumos que elaborei para a seleção do PPGS/UFRGS. Vamos ao resumo.

Livro: História das idéias sociológicas – das origens a Max Weber. ( p. 62 – 67)

Título: “Revolução e Ordem Social

Do ponto de vista sociólogo só vai se consolidar realmente na confluência das mudanças decisivas do final do século XVIII e na conjuntura do século XIX. O que marca, duramente, o nascedouro da sociologia são os novos esquemas de análise da química e biologia.

Duas “mutações” desempenharam o papel decisivo na constituição da sociologia. São elas: as revoluções políticas e as revoluções indústrias. ( aqui é importante relembrar os papéis das revoluções que ocorreram nas Europa nestes séculos acima citados. Principalmente a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, com a ascensão do capitalismo sobre o Feudalismo).

O principal papel que a Revolução Francesa causa ao surgimento da sociologia, é que a mesma embasa a fonte quase inesgotável de reflexão. Tal reflexão refere-se a aquelas pessoas que se debruçam sobre as questões em nível social -podesse afirmar que seriam os primeiros sociólogos, como Tocqueville e Comte.
 O Ponto de vista Reacionário sobre a Revolução Francesa

As opiniões convergem no intuito de denunciar a ruptura política que ocorreu em 1789. Assim como, a ruptura no plano econômico, com a imposição de uma nova ordem do mercado. Isto causou um choque ou um traumatismo. E foi devido a isso que será provocado o eco de tradição sociológico, que é a diluição dos vínculos sociais, além das instituições.

Da linhagem dos teóricos anti-revolucionários e anti individualistas, estão Maistre e Bonald.

Maistre, nobre francês, afirmará que a natureza do ser humano é ser sociável. Contudo a Revolução e a Era das Luzes, considerada isto ao contrário, ou seja, o homem é abstrato, separado de todo vínculo social. Em resumo, para Maistre o fundamento e a estabilidade de uma sociedade repousam não sobre a ação da razão, mas sobre a tradição, não sobre o indivíduo, mas sobre a comunidade. 

Já para o Visconde Bonald, colocará que o indivíduo só existe por estar firmemente inserido em uma rede complexa (grupos profissionais, família, nação) que lhe dá o existir como ser social. Notou-se que, para ambos, existe a explicação para a crise da tradição e da Igreja; que é o desenvolvimento do espírito crítico e a difusão do protestantismo ( ao qual se associa a doutrina do livre exame)


Nota: o que está em itálico, além dos títulos, são passagens exatas do livro. Não são minhas palavras. Espero q gostem deste primeiro resumo.

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Começando a série: resumos anteriores a prova de mestrado

Primeiramente gostaria de pedir desculpas, principalmente por não ter dado continuidade as publicações dos trabalhos meus da graduação ( caiu um raio do lado de  minha casa, e computador queimou – não tinha os trabalhos salvos em nuvem, infelizmente). Segundo, pela minha acentuada ausência. Contudo, isto deve-se a dedicação exclusiva ao mestrado. Bom, dentro de um mês haverá uma nova mestre em sociologia – eu, que pesquisei videogame na sociologia.

Por conseguinte, darei início, a publicação dos resumos que elaborei para a prova de mestrado. Vou contar um pouco dessa etapa pré-mestrado. Primeiro, eu faço o mestrado no PPGS/UFRGS (CAPES 07). Para disputar uma vaga são, quando fiz, uma prova de conhecimento (no meu caso foram os clássicos – Marx, Weber e Durkheim- escolher um conceito deles, dissertar sobre este conceito na atualidade), a prova de idioma ( francês ou inglês), análise do teu currículo da graduação (não querendo me gabar, mas sou a terceira melhor do curso, quando formei-me), análise dos comprovantes dos eventos que participou, análise do teu projeto (aqui o meu projeto foi considerado o melhor, sem erros, logo, se quiserem alguma orientação para formular projetos de pos-graduação 😉 )e, por fim, a entrevista com parte dos professores.

Logo, hoje iniciarei uma série com os resumos pré-prova do mestrado. Entretanto, gostaria de deixar algumas sugestões de leitura, tanto para quem for fazer uma prova deste porte, quanto para o pessoal da graduação, porque vale muito a pena, além de facilitarem a compreensão do conteúdo sociológico.

Primeiro o livro: “História das idéias sociológicas” do autor Michel Lallement. São dois volumes. É uma leitura bem didática e de fácil compreensão.

Segundo o livro: “Quatro tradições sociológicas” do autor Randall Collins. É um volume. Trabalha com os autores: Marx, Weber, Durkheim, Mead, Blumer, Garfinkel, entre outros.

O terceiro, e não menos importante, é o clássico “Etapas do pensamento sociólogo” do autor Raymond Aron. É um livro gigantesco e, ao meu ver, bem difícil para quem recém entrou no curso de ciências sociais ou sociologia. Porém, é bem sucinto ao pensamento das principais idéias dos autores clássicos.

Bom, é isso gente. Agora é pegar os resumos e digita-los aqui. Boa leitura e bons estudos.

Resenha de Ingold, Tim: Humanidade e Animalidade

Vamos a mais uma resenha, e a mais um textão da graduação.

Resenha feita no segundo semestre para antropologia. Novamente, peço, cuidem com os erros que ela deve conter. E, se usarem, me citem, o meu currículo CAPES agradece.

😉

O homem é a espécie mais recente na historia da vida natural da Terra. Ele é dotado de racionalidade, onde tem consciência de si e se constrange com as opiniões alheias, ele é um animal atemporal, ou seja, um animal religioso. Ele possui o dom da linguagem, onde descreve, argumenta, especula-se engana, se mostra inquieto com as questões de verdade e mentira. Para a existência humana é preciso ter duas qualidades essenciais que são a razão e a consciência, onde a primeira baseia-se em dados de observação empírica e a segunda em um processo introspectivo. O autor vai debater neste texto os aspectos do que é animalidade e o que é animalidade, como conhecer o que é ou não o ser humano.

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Para nós os conceitos de “animal” e de “humano” aparece cheio de associações que são repletas de ambigüidades e sobrecarregadas de preconceitos intelectuais e emocionais. Para a construção do conceito de homem, os animais ocupam uma posição central, pois a cada geração se (re)constrói a concepção de animalidade como sendo um deficiência de tudo o que supostamente o homem tem e eles não tem, como a razão, a linguagem, o intelecto e a consciência moral; entretanto cada geração também lembra que o homem é um animal, e fazendo esta comparação serve para que nós nos compreendermos melhor.O autor divide seu trabalho em três partes.

Na primeira ele vai tratar sobre a esfera da biologia, analisando a definição de homem como espécie animal, como reconhecer o que é ou não um ser humano, então ele dará um exemplo de um tenente da marinha sueca chamado Nicolas Köping que avistou homens que possuíam caudas em uma ilha e ao longo deste exemplo ele irá se perguntar o que define ou não o que é um ser humano. Será a sua aparência, seu porte físico, sua cor, deficiências ou partes a mais em um corpo? Pois estes homens sabiam a arte da navegação, estavam acostumados ao comercio e faziam uso do ferro, entretanto eles eram diferentes dos homens habituais, pois possuíam caudas. Logo nesta concepção ele nos dirá que não devemos nos deixar levar pelas concepções estreitas e eurocêntricas do tipo de coisa que é um ser humano, pois o gênero humano não é fixo e imutável, ao contrario, ele é variável tanto em termos históricos quanto geográficos; sendo esta variabilidade o traço distintivo da espécie animal, pois os seres humanos não possuem a mesma aparência, tamanho, formato, cor em todos os lugares. A biologia relata que o indivíduo possui um alto grau de variabilidade, sendo a singularidade do indivíduo que vai o distinguir dos organismos vivos e dos inanimados, porque todo o cristal é uma replica e todo o organismo vivo é uma inovação, logo os seres humanos podem vir a ser os ancestrais de um futuro descendente.

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Na segunda abordagem ele trata da visão filosófica do que é ou não o ser humano. Esta perspectiva traz um significado alternativo de ser humano, oposta a abordagem de animal. Aqui se tratará que a existência humana advém da riqueza e diversidade cultural, que é comparada com a diversidade da natureza em si. A palavra humanidade passa a ter uma conotação de estado ou condição humana do ser, oposta a condição de animalidade. A animalidade aqui consiste na noção de qualidade de vida no estado de natureza, onde o homem primitivo era conduzido pela suas paixões brutas, livres de constrangimentos morais e da regulação dos costumes, pois os primeiros humanos são movidos pelos instintos vivendo então em um estado de animalidade. O autor faz uma comparação entre os orangotangos adultos e os bebes humanos, pois em cada orangotango vê-se uma criança pequena; a criança ilustra o desenvolvimento da espécie, ela é um selvagem porque não tem nenhuma firmeza de propósitos, logo cada indivíduo é um resumo da raça e a criança ilustra seu desenvolvimento enquanto espécie. Nesta abordagem se irá apontar para que a condição como essência do ser humano se revela como a diversidade cultural, ou seja, para se tornar humano é preciso se tornar diferente dos demais seres humanos que falam idiomas ou dialetos diferentes, logo a animalidade humana se revela na ausência dessa diferenciação, ou seja, na sua uniformidade. Então para o ser humano existir é preciso, primeiro, existir como espécie, não conferindo qualidade a pessoa, onde o conceito de humanidade reside numa categoria biológica; segundo existir como ser humano, ou seja, existir como pessoa, o que aponta para uma condição moral.

E na terceira abordagem o autor faz um misto destas duas abordagens. Ele nos reafirma as ideais da biologia, onde a espécie humana é tão singular quanto as demais espécies onde cada individuo representa uma combinação particular. O que nos diferencias dos outros animais é nossa capacidade de raciocinar, nossa linguagem, consciência moral, costumes, códigos…sendo que o homem é um animal que erra e se constrange com as opiniões alheias, que fica inquieto com as questões da verdade ou da mentira. E que vemos uma criança em cada chimpanzé maduro e por isso o tratamos como se fosse um caso de desenvolvimento interrompido.A fronteira entre a espécie humana e as demais espécies animais não é paralela, ela cruza as fronteiras entre animalidade e humanidade com estado de ser. Nossa visão do que é uma pessoa, do que é um ser humano é muito dependendo da visão de mundo ocidental.

Resenha de Norbert Elias

AVISO! 

A resenha aqui apresentada necessita de preenchimentos!

Resenha das obras:

ELIAS, Norbert. In: ______. A Sociedade dos Indivíduos. RJ, Jorge Zahar, 1994, p. 11-60, 127-193.

ELIAS, Norbert. In______. O Processo Civilizador. RJ, Jorge Zahar, v.1, 1990, p. 109-147.

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A sociedade é uma porção de gente juntas, mas esta sociedade seria igual em qualquer nação e/ ou igual através do tempo? Não, porque a sociedade possui estruturas diferentes, a sua formação independe dos indivíduos, ela é formada alegoricamente, sem planejamento. O indivíduo está inserido em dois campos na sociedade, o primeiro ele defende a sociedade como se fosse planejada, e a partir daí procuram para explicá-la exemplos de formação das instituições. O Estado funciona para a manutenção da ordem, e a linguagem funciona para a comunicação entre as pessoas, ou seja, tudo é criado para fins específicos e por indivíduos isolados onde houvesse um planejamento racional. O outro campo é que o indivíduo não possui um papel na sociedade, ela é uma entidade orgânica supra-individual, logo há um grande abismo entre o indivíduo e a sociedade.

A sociedade é a unidade de potencia maior e esta é formada a partir das unidades de potência menor.  A sociedade não pode ser compreendida quando suas partes são consideradas em isolamento, independente de suas relações, ela deve ser compreendida em sua totalidade. A sociedade e o indivíduo coexistem, não há sociedade sem indivíduos e nem vice-versa. Entretanto a vida em comunidade não é harmoniosa, mas as pessoas têm que aprender a coexistirem umas com as outras porque cada uma vai possuir uma função e um indivíduo irá depender de outro indivíduo. Existe uma ordem invisível, uma rede de funções, onde as pessoas são ligadas entre si tendo peso e leis próprias. A criança já nasce dentro de uma sociedade estruturada, e sua forma individual quando adulto é a forma específica da sociedade em que ela se encontra. Na sociedade os homens são suas relações, ele é um ser social que depende de outros homens, e a fala é um mecanismo de ajustamento social para o ser humano que é determinada, sua linguagem, pela sociedade. Na sociedade possui divisões entre as funções, quanto mais divisões há mais intercâmbio ocorre entre as pessoas, pois torna-se maior a sua dependência de outras pessoas para a sua vida e existência social.

No processo civilizador, Norbert Elias, aponta para o condicionamento e o adestramento que ocorre no homem desde o feudalismo ate a atualidade. Ambos são frutos do recalcamento das pulsões do homem, do avanço dos sentimentos de vergonha e embaraço, que são incorporados ao longo da historia e passam a servir de instrumento de auto-controle. Por exemplo, a faca é um instrumento bélico, mas o homem não a usa quando está comendo para matar outro homem porque ele incorporou o uso dela e se condicionou (castrou) para não a usar para ferir o outro, ou seja, o habitus de usar a faca na mesa se naturalizou com o passar to tempo. Se antes era usada pela nobreza para se distinguir das outras classes, passa a ser incorporada pelas classes mais baixas para então ser universal e depois é naturalizada como um costume pela sociedade. Existe na sociedade um controle crescente do afetivo e instintivo do ser humano, de controlar as suas emoções e suas atitudes, o ser civilizado passa a ser aquele que possui um comportamento “mais humano”, que seria definido a partir do comportamento das elites que posteriormente é incorporado às classes baixas. Se não há este comportamento mais refinado, o indivíduo passa a ser considerado bárbaro/ primitivo.

Entretanto este bárbaro, para a contra-cultura, é um ser solto, livre, enquanto que o civilizado é uma ser preso, recalcado. A contra cultura busca superar as barreiras entre a disciplina e a castração. Norbert Elias trouxe esta idéia a partir da observação das necessidades fisiológicas e do comportamento dos indivíduos a mesa. Mas ficou-me uma pergunta, será que nossos habitus, costumes seriam diferente se não houvesse este condicionamento, castração ou adestramento que sofremos? É difícil de imaginar uma sociedade “civilizada” onde não haja a opressão das vontades humanas, e mesmo assim o que seria uma sociedade civilizada e uma primitiva se não houvesse este condicionamento.

Redes de indignação e esperança – movimentos sociais da era da internet.

Este texto refere-se a um fichamento produzido por mim do livro de Manuel Castells, capitulo 6: A transformação do mundo na sociedade em rede. Espero que gostem.

O autor começa dizendo que os movimentos sociais são a alavanca para mudança social, e geralmente, são oriundos de uma crise. Crise de legitimidade dos governantes de conduzir assuntos públicos leva as pessoas a tomar as coisas em suas próprias mãos, envolvendo ações coletivas para no final mudar os governantes e até as regras que moldam a origem da crise, entretanto Castells considera esse comportamento arriscado. Mudança social: envolve uma ação coletiva e/ou individual que é emocionalmente motivada. Seis emoções básicas: medo, aversão, surpresa, tristeza, felicidade e raiva. O gatilho para a mudança social é a raiva e o opressor o medo.

Movimentos Sociais

Movimentos sociais: Não nascem, necessariamente, da pobreza ou do descontentamento político. Os movimentos sociais, que o autor vai estudar, estão baseados na era da internet e apresentam sete características comuns:

  1. São conectados em rede de múltiplas formas – O uso de comunicação é essencial. Formam-se redes dentro do movimento, com outros movimentos do mundo todo, com a blogosfera da internet. Tem sua existência continua no espaço livre da internet, e tendem a tornar-se um movimento hibrido ao ocupar espaços urbanos, gerando um terceiro espaço, que é o da autonomia. Castells refere-se a este espaço pela capacidade de se organizarem, as pessoas, no espaço livre das redes de comunicação, sendo este local uma nova forma dos movimentos sociais em rede. Ele enfatiza isto devido ao fato que os movimentos em rede não precisarem de uma liderança formal, diferentemente dos movimentos organizados por sindicatos, partidos entre outas organizações.
  2. Os movimentos são simultaneamente locais e globais – Começam em contextos específicos, entretanto são globais. Eles tem a sua própria forma de lidar com o tempo, o que Castells chamará de o tempo atemporal, que dividem-se em dois tipos de experiência:
    1. Vivem um dia após o outro (vivem o momento, a experiência real)
    2. Veem um horizonte de possibilidades ilimitado (projetam seu tempo num futuro do processo de construção histórica, a “utopia”).

Para o autor é um tempo emergente, alternativo, constituído de um hibrido do agora com o para sempre. Gênese dos movimentos: são espontâneos em sua origem, geralmente desencadeados por uma centelha de indignação. Castells destaca o poder das imagens, que é soberano, considerando o YouTube como uma das mais poderosas ferramentas de mobilização nos estágios iniciais do movimento.

Occupy Wall ST

3. Os movimentos são virais – Segue a lógica das redes da internet.

4.  A passagem da indignação à esperança realiza-se por deliberação no espaço da              autonomia – A tomada de decisão em geral é feita através de assembleias, porque            trata-se de um movimento sem liderança devido a desconfiança e descredito da                maioria dos participantes a qualquer forma de delegação de poder. As redes criam o        companheirismo, porque é através dele que as pessoas superam o medo e                        descobrem a esperança.

  5.  A horizontalidade das redes favorece a cooperação e a solidariedade, ao mesmo              tempo que reduz a necessidade de liderança – O movimento produz seus próprios            antídotos contra a disseminação dos valores sociais que deseja combater.

 6. São movimentos profundamente autorreflexivos – Questionam-se permanentemente        como movimento. Principal tema de debate: questão da violência. Em principio não          são violentos, porque na sua origem está a desobediência civil, pacífica. O objetivo          de      todos os movimentos é manifestar-se em nome da sociedade como um todo,      é fundamental eles sustentarem sua legitimação pela justaposição de seu caráter              pacífico à violência do sistema, usam a imagem da violência policial para ampliarem a      simpatia dos cidadãos pelo movimento.

Repressão policial

7.  Esses movimentos raramente são programáticos – Exceto quando pretendem derrubar um regime ditatorial. Estes movimentos sociais em rede não concentram-se num só projeto ou tarefa, assim como não podem ser canalizados por uma ação politica, logo, dificilmente serão cooptados por partidos políticos, embora estes possam lucrar  com a mudança  de percepção que os movimentos provocam na opinião pública. Assim os movimentos sociais são voltados para a mudança dos valores da sociedade. Castells coloca que estes movimentos são muito políticos num sentido fundamental que é quando propõem e praticam a democracia deliberativa direta, baseado na democracia em rede. Estes movimentos também propõem uma nova utopia no cerne da cultura, que é a autonomia do sujeito em relação às instituições da sociedade.

Castells coloca que os movimentos sociais surgem da contradição  e dos conflitos de sociedades especificas, e expressam as revoltas e os projetos das pessoas resultante de sua experiência multidimensional, e que os movimentos sociais em nossa época são fundamentados na internet. O papel da internet vai ultrapassar a instrumentalidade, porque ela cria condições para uma forma de prática comum que permite a um movimento sem lideranças sobreviver, deliberar, coordenar e expandir-se.

Os movimentos sociais são distintos de movimentos de protestos.

Eles são movimentos essencialmente culturais, que conectam as demandas de hoje com  os projetos de amanhã. Nos bastidores do processo de mudança social está a transformação cultural da sociedade, porque, segundo Castells, há uma emergência de um novo conjunto de valores definidos como individualização e autonomia.

  • Individualização: é a tendência cultural que enfatiza os projetos de individuo como supremo princípio orientador de seu comportamento;
  • Autonomia: refere-se à capacidade de um ator social tornar-se sujeito ao definir sua ação em torno de projetos elaborados independentemente das instituições da sociedade.

Transição da individualidade para a autonomia opera-se por meio da constituição de redes que permitem aos atores individuais construírem sua autonomia com pessoas de posição semelhante nas redes de sua escolha.

A tecnologia da internet incorpora a cultura da liberdade. Esta cultura no plano societal e da individuação e autonomia no plano dos atores sociais estimulam, simultaneamente, as redes da internet e os movimentos sociais em rede. E, por fim, Castells coloca que o verdadeiro objetivo é aumentar a consciência dos cidadãos em geral, qualifica-los para participação nos próprios movimentos e num amplo processo de deliberação sobre suas vidas e seu país, e confiar em sua capacidade de tomar suas próprias decisões em relação à classe politica. Porque a verdadeira batalha pela mudança social é decidida na mente das pessoas, e nesse sentido os movimentos sociais em rede têm feito grande progresso no plano internacional.

Internet

Homem de Pequim e olhos puxados

Como prometido, vim escrever sobre o homem de Pequim. A arqueologia chinesa tem algumas peculiaridades, como a existência de  espécies humanas que poderiam ter habitado a região, ou a área do País, há aproximadamente 1,7milhões de anos, ou seja, bem antes do aparecimento do Homo Sapiens (de onde advém o homem moderno: leia-se nós LoL)

Entretanto não para por ai. A audácia paleontológica chinesa , que vem de uma teoria local, diz que a “raça” (não gosto deste termo, por isso as aspas, maaaas vamos usa-lo) chinesa teria se originado não por um ancestral comum africano, mas sim por um hominídeo chamado de “o homem de Pequim”. Ele seria a verdadeira origem do povo chinês, entrando, nesse momento, numa confusão entre o nacionalismo e a ciência.Isto deve-se devido ao fato de que um das suas repercussões é afirmar a singularidade da “raça” chinesa.

Busto do homem de Pequim

Busto do homem de Pequim

Agora porque vocês acham que os asiáticos, como um todo, possuem os famosos olhinhos puxados? Então, isso é resultado de uma anatomia diferente na “raça” amarela, ou seja, a diferença dos olhos deles é consequência da evolução natural dos povos da região do norte asiático há +/- 10mil anos. E,por ser uma região de temperaturas muito baixas e intensa luminosidade, que era provocada pelo reflexo do sol na neve, levava a população a ter diversos problemas de visão, logo os indivíduos que tivesse a fenda das pálpebras menor e menor exposição a esta luminosidade, enfrentaria melhor este ambiente. Por consequência, com o passar dos anos, os indivíduos que tinham os olhos puxados, levou a um processo de seleção natural que Darwin explica. olhos puxados

E, para finalizar, vocês não notam que há uma semelhança entre as características físicas dos orientais com algumas tribos indígenas de ameríndios? Então há a teoria de que os índios tem descendência de povos asiáticos por terem conseguido passar  de um continente ao outro através do Estreito de Bering, que, durante as eras glaciais, tornava-se visível e conectava os atuais territórios da Sibéria e Alaska. Por isso vocês podem notar que os índios tem os “olhos puxados” e o cabelo liso e preto, igual aos da população oriunda do leste asiático.

Diversidade indígena.

Diversidade indígena.

Crianças indígenas

Crianças indígenas