Resenha de Ingold, Tim: Humanidade e Animalidade

Vamos a mais uma resenha, e a mais um textão da graduação.

Resenha feita no segundo semestre para antropologia. Novamente, peço, cuidem com os erros que ela deve conter. E, se usarem, me citem, o meu currículo CAPES agradece.

😉

O homem é a espécie mais recente na historia da vida natural da Terra. Ele é dotado de racionalidade, onde tem consciência de si e se constrange com as opiniões alheias, ele é um animal atemporal, ou seja, um animal religioso. Ele possui o dom da linguagem, onde descreve, argumenta, especula-se engana, se mostra inquieto com as questões de verdade e mentira. Para a existência humana é preciso ter duas qualidades essenciais que são a razão e a consciência, onde a primeira baseia-se em dados de observação empírica e a segunda em um processo introspectivo. O autor vai debater neste texto os aspectos do que é animalidade e o que é animalidade, como conhecer o que é ou não o ser humano.

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Para nós os conceitos de “animal” e de “humano” aparece cheio de associações que são repletas de ambigüidades e sobrecarregadas de preconceitos intelectuais e emocionais. Para a construção do conceito de homem, os animais ocupam uma posição central, pois a cada geração se (re)constrói a concepção de animalidade como sendo um deficiência de tudo o que supostamente o homem tem e eles não tem, como a razão, a linguagem, o intelecto e a consciência moral; entretanto cada geração também lembra que o homem é um animal, e fazendo esta comparação serve para que nós nos compreendermos melhor.O autor divide seu trabalho em três partes.

Na primeira ele vai tratar sobre a esfera da biologia, analisando a definição de homem como espécie animal, como reconhecer o que é ou não um ser humano, então ele dará um exemplo de um tenente da marinha sueca chamado Nicolas Köping que avistou homens que possuíam caudas em uma ilha e ao longo deste exemplo ele irá se perguntar o que define ou não o que é um ser humano. Será a sua aparência, seu porte físico, sua cor, deficiências ou partes a mais em um corpo? Pois estes homens sabiam a arte da navegação, estavam acostumados ao comercio e faziam uso do ferro, entretanto eles eram diferentes dos homens habituais, pois possuíam caudas. Logo nesta concepção ele nos dirá que não devemos nos deixar levar pelas concepções estreitas e eurocêntricas do tipo de coisa que é um ser humano, pois o gênero humano não é fixo e imutável, ao contrario, ele é variável tanto em termos históricos quanto geográficos; sendo esta variabilidade o traço distintivo da espécie animal, pois os seres humanos não possuem a mesma aparência, tamanho, formato, cor em todos os lugares. A biologia relata que o indivíduo possui um alto grau de variabilidade, sendo a singularidade do indivíduo que vai o distinguir dos organismos vivos e dos inanimados, porque todo o cristal é uma replica e todo o organismo vivo é uma inovação, logo os seres humanos podem vir a ser os ancestrais de um futuro descendente.

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Na segunda abordagem ele trata da visão filosófica do que é ou não o ser humano. Esta perspectiva traz um significado alternativo de ser humano, oposta a abordagem de animal. Aqui se tratará que a existência humana advém da riqueza e diversidade cultural, que é comparada com a diversidade da natureza em si. A palavra humanidade passa a ter uma conotação de estado ou condição humana do ser, oposta a condição de animalidade. A animalidade aqui consiste na noção de qualidade de vida no estado de natureza, onde o homem primitivo era conduzido pela suas paixões brutas, livres de constrangimentos morais e da regulação dos costumes, pois os primeiros humanos são movidos pelos instintos vivendo então em um estado de animalidade. O autor faz uma comparação entre os orangotangos adultos e os bebes humanos, pois em cada orangotango vê-se uma criança pequena; a criança ilustra o desenvolvimento da espécie, ela é um selvagem porque não tem nenhuma firmeza de propósitos, logo cada indivíduo é um resumo da raça e a criança ilustra seu desenvolvimento enquanto espécie. Nesta abordagem se irá apontar para que a condição como essência do ser humano se revela como a diversidade cultural, ou seja, para se tornar humano é preciso se tornar diferente dos demais seres humanos que falam idiomas ou dialetos diferentes, logo a animalidade humana se revela na ausência dessa diferenciação, ou seja, na sua uniformidade. Então para o ser humano existir é preciso, primeiro, existir como espécie, não conferindo qualidade a pessoa, onde o conceito de humanidade reside numa categoria biológica; segundo existir como ser humano, ou seja, existir como pessoa, o que aponta para uma condição moral.

E na terceira abordagem o autor faz um misto destas duas abordagens. Ele nos reafirma as ideais da biologia, onde a espécie humana é tão singular quanto as demais espécies onde cada individuo representa uma combinação particular. O que nos diferencias dos outros animais é nossa capacidade de raciocinar, nossa linguagem, consciência moral, costumes, códigos…sendo que o homem é um animal que erra e se constrange com as opiniões alheias, que fica inquieto com as questões da verdade ou da mentira. E que vemos uma criança em cada chimpanzé maduro e por isso o tratamos como se fosse um caso de desenvolvimento interrompido.A fronteira entre a espécie humana e as demais espécies animais não é paralela, ela cruza as fronteiras entre animalidade e humanidade com estado de ser. Nossa visão do que é uma pessoa, do que é um ser humano é muito dependendo da visão de mundo ocidental.

Resenha de Norbert Elias

AVISO! 

A resenha aqui apresentada necessita de preenchimentos!

Resenha das obras:

ELIAS, Norbert. In: ______. A Sociedade dos Indivíduos. RJ, Jorge Zahar, 1994, p. 11-60, 127-193.

ELIAS, Norbert. In______. O Processo Civilizador. RJ, Jorge Zahar, v.1, 1990, p. 109-147.

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A sociedade é uma porção de gente juntas, mas esta sociedade seria igual em qualquer nação e/ ou igual através do tempo? Não, porque a sociedade possui estruturas diferentes, a sua formação independe dos indivíduos, ela é formada alegoricamente, sem planejamento. O indivíduo está inserido em dois campos na sociedade, o primeiro ele defende a sociedade como se fosse planejada, e a partir daí procuram para explicá-la exemplos de formação das instituições. O Estado funciona para a manutenção da ordem, e a linguagem funciona para a comunicação entre as pessoas, ou seja, tudo é criado para fins específicos e por indivíduos isolados onde houvesse um planejamento racional. O outro campo é que o indivíduo não possui um papel na sociedade, ela é uma entidade orgânica supra-individual, logo há um grande abismo entre o indivíduo e a sociedade.

A sociedade é a unidade de potencia maior e esta é formada a partir das unidades de potência menor.  A sociedade não pode ser compreendida quando suas partes são consideradas em isolamento, independente de suas relações, ela deve ser compreendida em sua totalidade. A sociedade e o indivíduo coexistem, não há sociedade sem indivíduos e nem vice-versa. Entretanto a vida em comunidade não é harmoniosa, mas as pessoas têm que aprender a coexistirem umas com as outras porque cada uma vai possuir uma função e um indivíduo irá depender de outro indivíduo. Existe uma ordem invisível, uma rede de funções, onde as pessoas são ligadas entre si tendo peso e leis próprias. A criança já nasce dentro de uma sociedade estruturada, e sua forma individual quando adulto é a forma específica da sociedade em que ela se encontra. Na sociedade os homens são suas relações, ele é um ser social que depende de outros homens, e a fala é um mecanismo de ajustamento social para o ser humano que é determinada, sua linguagem, pela sociedade. Na sociedade possui divisões entre as funções, quanto mais divisões há mais intercâmbio ocorre entre as pessoas, pois torna-se maior a sua dependência de outras pessoas para a sua vida e existência social.

No processo civilizador, Norbert Elias, aponta para o condicionamento e o adestramento que ocorre no homem desde o feudalismo ate a atualidade. Ambos são frutos do recalcamento das pulsões do homem, do avanço dos sentimentos de vergonha e embaraço, que são incorporados ao longo da historia e passam a servir de instrumento de auto-controle. Por exemplo, a faca é um instrumento bélico, mas o homem não a usa quando está comendo para matar outro homem porque ele incorporou o uso dela e se condicionou (castrou) para não a usar para ferir o outro, ou seja, o habitus de usar a faca na mesa se naturalizou com o passar to tempo. Se antes era usada pela nobreza para se distinguir das outras classes, passa a ser incorporada pelas classes mais baixas para então ser universal e depois é naturalizada como um costume pela sociedade. Existe na sociedade um controle crescente do afetivo e instintivo do ser humano, de controlar as suas emoções e suas atitudes, o ser civilizado passa a ser aquele que possui um comportamento “mais humano”, que seria definido a partir do comportamento das elites que posteriormente é incorporado às classes baixas. Se não há este comportamento mais refinado, o indivíduo passa a ser considerado bárbaro/ primitivo.

Entretanto este bárbaro, para a contra-cultura, é um ser solto, livre, enquanto que o civilizado é uma ser preso, recalcado. A contra cultura busca superar as barreiras entre a disciplina e a castração. Norbert Elias trouxe esta idéia a partir da observação das necessidades fisiológicas e do comportamento dos indivíduos a mesa. Mas ficou-me uma pergunta, será que nossos habitus, costumes seriam diferente se não houvesse este condicionamento, castração ou adestramento que sofremos? É difícil de imaginar uma sociedade “civilizada” onde não haja a opressão das vontades humanas, e mesmo assim o que seria uma sociedade civilizada e uma primitiva se não houvesse este condicionamento.

Individuo e sociedade

Será que você já parou para pensar de onde vem a sua motivação para estudar e trabalhar, ou melhor, da onde surgiu a idéia “do que você quer ser quando crescer”? De onde vem a idéia de individuo ou de pessoa? Não sei qual será a sua resposta, mas eu proponho uma analise.

Individuo é o ser que advêm de um processo civilizador. O processo civilizador está enraizado na sociedade, e ele se dá através de instituições ao qual desde que nascemos pertencemos a uma, a instituição família. A sociedade como um todo condiciona os hábitos humanos num processo de tortura. O individuo é um resultado de um condicionamento e na sua memória está governada pela ação, mas está ação é produto de uma tortura, o custo para isso que sofremos é o progresso da sociedade como um todo, pois este progresso se dá através da infelicidade humana.

Mas o que seria essa tortura ou infelicidade humana? Não pense em tortura física. Não é isso. Retornamos a idade media para exemplificar essa tortura ou condicionamento humano. Na idade media usava-se roupas que cobriam o corpo de cima a baixo, no momento em que uma parte estava a mostra provocava uma reação nos outros indivíduos. Outro exemplo era as turmas separadas por sexos, já que meninos e meninas não podiam estudar juntos devido a impulsos hormonais. Então a partir do condicionamento, ou do processo civilizador, ouve um condicionamento do comportamento humano nestes impulsos. De uma sociedade extremamente fechada com o processo civilizátorio, da contenção dos impulsos, formou-se uma sociedade ‘libertaria’. Ai esta a tortura, o ato de contenção de algo, o ato de não pode, proporciona um condicionamento humano que trás a infelicidade ao instinto humano.

As instituições formaram-se a partir do ato de subsistência humana. A necessidade de sobrevivência formou as relações sociais, a partir destas relações se deu a formação da sociedade, mas e o individuo? O individuo, alem da formulação acima, também é fruto de uma expectativa de cada família, ou seja, uma família cria um filho com uma expectativa sobre o seu futuro, ela vai o moldar para que em seu futuro ele aja de determinada maneira. Em outras palavras o individuo é o resultados de todos os investimentos feitos, ele não é ele mesmo, mas sim um resultado que seus antepassados(pais, avós) deram como perspectiva. O individuo é criado dentro de uma rede, ou melhor, ele está inserido dentro de uma rede, que irá variar de sociedade para sociedade assim como o processo histórico que está sociedade sofreu. Então o que quero dizer é que o individuo é produto de uma relação com as redes de indivíduos e instituições em que ele está inserido; e suas idéias são formuladas a partir da interlocução que ele exerce com outros indivíduos.

O processo civilizador se dá a partir das elites. Retomamos novamente a idade media e também a idade moderna. A elite sempre procura se distinguir das outras classes sociais, então se nas classes baixas eles comem com a mão, a elite irá se distinguir pelo uso de talheres. Se hoje é tão banal comer de talheres, antes foi algo de distinção entre classes, hoje é banal porque se tornou algo naturalizado da sociedade em relação ao individuo. Então o processo civilizador acontece de cima para baixo, no objeto de distinção que se torna algo natural com o passar dos anos.

Em síntese de tudo o individuo está relacionado com o Estado, com as instituições civilizatórias, com o constrangimento constante, onde as pessoas devêm  controlarem-se e só fazerem algo em determinados horários que são, inconscientemente, impostos ao individuo. E o autocontrole advém de um processo de constrangimento e castração, duas ilustrações são da nudez, em que o individuo exerce um autocontrole sobre si, assim como a faca, que sendo um instrumento bélico o individuo se controla para não vir a ferir o outro. Então o processo civilizador quer nos dizer que o civilizado é aquele individuo recatado, enquanto o individuo solto, que não possui autocontrole, é um individuo bárbaro. E, por fim, os instrumentos de autocontrole que são incorporados pela sociedade civilizatória é o sentimento de embaraço e vergonha.

Não escrevi isso sem base. Isto veio de uma aula de antropologia, que teve como base um treco de uma obra de Nobert Elias. Admito que não li a obra, logo pode ser que algumas coisas que estão escritas aqui estejam erradas, mas como sempre estou aberta a correções.

L.E.R. – Lesões por Esforços Repetitivos

L.E.R.

Você pode estar lendo este post, mas estar sentindo uma dor no punho ou dedo ou ombro ou na coluna, bom você pode estar com L.E.R.   sabes o que é isso? L.E.R. é a sigla usada para lesões por esforços repetitivos, que nada mais é do que um conjunto de doenças inflamatórias que afeta a vida de milhões de trabalhadores. Foi sobre esse tema que versei na minha monografia de antropologia.

O que é o L.E.R.? L.E.R é a sigla para Lesões por Esforços Repetitivos, que é um conjunto de doenças inflamatórias provocada pelos movimentos repetitivos durante um tempo muito longo e também é um conceito que define um conjunto de doenças ou alterações funcionais que atingem a região escapular, o pescoço, os ombros, os braços, os cotovelos, os antebraços, os punhos e os dedos. Não existe uma faixa etária definida, pode afetar tanto crianças, devido ao uso continuo do videogame, como adultos, nos mais variados tipo de serviços, basta que o indivíduo fique fazendo uma seqüência de movimentos durante muito tempo. O individuo ao efetuar um dado movimento por tempo prolongado sem uma pausa acaba causando uma sobrecarga na região músculo-esquelética. Há outras causas, além do esforço repetitivo, que levam o surgimento do L.E.R., que são as más condições de trabalho, pressão por parte do chefe para que o funcionário produza mais, a má postura do indivíduo e stress.

As doenças ao qual o L.E.R. engloba são varias, as mais comuns são: tendinites, tenossinovite, bursite, síndrome do desfiladeiro torácico, dedo em gatilho, epicondilite, síndrome do ponador redondo e síndrome do túnel do carpo. Quando detectadas em estagio inicial podem ser curadas rapidamente, mas se detectada em estágio avançado a cura é nula. Existem quatro estágios das doenças que englobam o L.E.R. O primeiro estágio é quando o indivíduo sente uma pontada na região afetada. O segundo estágio é quando há uma dor mais intensa e mais localizável assim como calor na região e formigamento, mas nada desconfortável. O terceiro estágio a dor é intensa e começa a restrição a alguns tipos de movimentos, e no quarto estágio a dor torna-se insuportável e nem o descanso consegue fazer com que a dor diminua – a região acaba se tornando dolorida, sem força e deformada – aqui já não há mais cura.

O diagnostico do L.E.R. se dá basicamente no que o paciente diz ao medico, não existe um exame específico para detectar a lesão. O paciente geralmente procura um medico já em estagio avançado, vem de noites mal dormidas, estressado e aparentemente sem nenhum sinal de doença. À medida que o paciente conta desde quando começou a dor, o local que trabalha, suas condições de trabalho e o que faz lá, o medico acaba diagnosticando que esta com L.E.R.. O tratamento se dá basicamente usando antiinflamatório, as vezes aliado a um relaxante muscular, evitar fazer o movimento repetidas vezes, aliado a fisioterapia, depois que passa a inflamação.

O L.E.R. não é uma doença moderna, ao contrario do que eu pensava. Na idade média ele era conhecido com a doença dos escribas, pois estes passavam horas e horas escrevendo. Também foi conhecido como entorse das lavadeiras, pois elas aplicavam uma combinação de força, má postura, más condições de trabalho e esforço repetitivo por um longo tempo. São dois exemplos para citar que o L.E.R. não é de hoje, o que ocorreu foi a mudança de nomes dados – a doença do escribas hoje é chamada de tenossinovite, e a entorse das lavadeiras é chamada de tenossinovite de De Quervian. O L.E.R se acentuou na idade contemporânea devido à proliferação dos computadores, já que estes hoje são essenciais em qualquer empresa, o que leva os indivíduos descuidados a se sentarem erradamente em frente a ele e passarem horas e horas na frente da tela sem se movimentarem um pouco, ou melhor, quebrar um pouco a cadeia de movimentos executados ate então. O ideal, segundo os médicos que ouvi, é que a cada hora trabalhada o indivíduo pare cinco ou dez minutos e faça um alongamento nos membros superiores e inferiores. O individuo então deverá alongar as mãos, os braços, mexer nos dedos, movimentar com os ombros, se esticar um pouco e caminhar um pouquinho – isso já quebra o ciclo de movimentos e ajuda a evitar a lesão.

Em síntese, o L.E.R. é um conjunto de doenças inflamatórias que pode afetar qualquer indivíduo, indiferente do seu sexo, idade ou trabalho que exerce. Estas doenças afetam principalmente os membros superiores, ombros, cotovelos, punhos e dedos. O sexo mais afetado são as mulheres em idade economicamente ativa, mas é indiferente a profissão. O tratamento se dá através do uso de antiinflamatórios com fisioterapia, se necessário. Quanto mais tarde o indivíduo for ao médico, poucas serão as suas chances de cura, e quanto mais cedo for ao médico, maiores e mais rápida pode ser a cura para a lesão. Algumas lesões têm pré-disposição a voltarem quando o individuo voltar à atividade profissional. E o L.E.R. não é uma doença nova, mas sim uma doença em expansão devido à monotonia dos movimentos no trabalho moderno.

Ao contrario do que li os pacientes que estudei não tiveram depressão ou algo do tipo, pelo contrario, muitos tem vontade de voltar ao mercado de trabalho ou voltar a fazer as tarefas domesticas. Constatei uma vontade imensa de voltar ao mercado de trabalho e uma força de vontade além do esperado. Não vi depressão ou tristeza, mas vi queixas e inúmeras queixas relacionadas aos peritos. Queixa de negação de afastamento do trabalho, sendo que os exames constatavam a lesão alem de orientação medica para o afastamento temporário. Vi queixa no tratamento que os peritos dão aos pacientes, alguns são comparados a animais. E vi também a burocracia que é feita para conseguir se afastar temporariamente. Achei o fim do mundo, pois o inps é pago para quando se precisar ele esteja lá o beneficio para os usuários usufruir dele quando preciso, mas a historia não é bem assim. Pena que não consegui uma entrevista com um perito, para fazer perguntas a ele e ver a sua versão sobre isso.

Antropofagia

Quadro sobre antropofagia

Antropofagia consiste no ato de comer seres humanos, total ou parcialmente. Do grego anthropos, “homem” e phagein, “comer”. As tribos brasileiras na época do descobrimento, praticavam a antropofagia. Quando havia guerra entre tribos rivais, caso um rival fosse capturado, então começa o ritual da antropofagia.

Eu não sei qual a ordem correta dos fatos, mas mesmo assim vou citar o que acontecia. Ao chegar na tribo rival, eles lhe ofereciam uma mulher que lhe trazia comida e para dormir com ele, geralmente ela ficava grávida. O prisioneiro não podia ter nenhum defeito, senão era descartado. Seus cabelos eram raspados e ele recebia colares. Demorava um tempo ate o sacrificarem.

Na medida que se aproximava o sacrifício, as mulheres preparavam as vasilhas e bebidas, enquanto os homens se encarregavam de ir nas tribos amigas para anunciar o sacrifício e convidar os membros dessas tribos. Primeiro eles pintavam o corpo do prisioneiro. Depois a tribo realizava danças em volta da grande fogueira. Ai pelo quarto dia o prisioneiro era lavado de manhã, ai então começa o sacrifício. Em todo o tempo a tribo testa a coragem do prisioneiro, esperavam que ele demonstrasse altivez para merecer uma morte tão importante. No dia seguinte então era consumado o sacrifício, nesse dia a mulher que lhe foi oferecida se despede. O guerreiro que havia lhe capturado era quem o abatia e havia uma simbologia na forma como o morto caia. Se caísse de costas, quem o matou iria morrer, se caísse de bruços, a tribo teria uma grande futuro.

Abaixo um fragmento da obra Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden, que relata a antropofagia.

Quando trazem para casa um inimigo, batem-lhe as mulheres e criança primeiro. A seguir, colocam-lhe ao corpo penas cinzentas, raspam-lhe as sobrancelhas, dançam ao seu redor e amaram-lhe bem. Dão-lhe então uma mulher para servi-lo. Se tem dele um filho, criam-no ate grande e o matam e o comem quando lhes vem a cabeça.

Dão de comer bem ao prisioneiro. Conservam-no por algum tempo e então se preparam. (…Assim que está tudo preparado, determinam o tempo em que ele deve morrer e convidam os selvagens das outras aldeias para que venham assistir. Logo que estão reunidos todos os que vieram de fora, o chefe da choça diz: “vinde agora e ajudai a comer vosso inimigo”. (…)

Quando principiam a beber, levam consigo o prisioneiro que bebe com eles. Acabada a bebida, descansam o outro dia e fazem para o inimigo uma pequena cabana no local em que deve morrer. Ai a noite passa, sendo bem vigiado. (…)

O guerreiro que vai matar o prisioneiro diz para o mesmo: “Sim aqui estou eu, quero te matar, pois tua gente também matou e comeu muitos dos meus amigos”. Responde-lhe o prisioneiro:”Quando estiver morto, terei ainda muitos amigos que saberão me vingar”. Depois, ele é golpeado na nuca, de modo que lhe saltem os miolos, e de imediato as mulheres arrastam o morto para o fogo, raspam-lhe toda a pele, tornando-o totalmente branco e tapam-lhe o ânus com uma madeira, afim que nada dele se escape.

Depois de esfolado, um homem o pega e lhe corta as pernas acima do joelho e os braços junto ao corpo. Vêm então quatro mulheres que apanham quatro pedaços, correndo com eles em torno das cabanas, fazendo grande alarido, em sinal de alegria. Separam após as costas, junto com as nádegas, da parte dianteira. Repartem isso entre eles. As víceras são dadas as mulheres. Fervem-nas e com o caldo fazem uma papa rala que se chama mingau que elas e as crianças sorvem. Comem também a carne da cabeça. As crianças comem os miolos, a língua e tudo o que podem aproveitar. Ao guerreiro mais forte é oferecido o coração e as genitais.

Quando tudo foi partilhado, voltam para casa, levando cada um o seu quinhão. (…)

Monografia de Antropologia

Pois bem, a avaliação em antropologia vai ser uma monografia. Tudo nos escolhemos, o que ajuda mas… Eu não sei o que eu faço!!!! Pensei, pensei, mas minha mente não é fértil, então resolvi fazer sobre o comportamento dos pais com os filhos numa praçinha. Eis a sintese:

Tema: Família

Objeto: Pais e filhos

Observação:

  • Comportamento dos pais com os filhos em uma praça;
  • É mais frequente o pai ou a mãe levaram, por que?;
  • Quanto tempo ele permanecem na praça
  • Qual a reação da criança quando ela chega e quando ela sai.

Entrevista:

  • Leva os filhos com que frequência;
  • Por que ir numa praça e não em um shop ou em em um parque;
  • Moram em casa ou apartamento, perto ou longe da praça?

Local: Praça Isabel, A Católica.

Pois bem, esse seria a minha monografia, mas estive pensando e me surgiu também a questão dos orfanatos. Ainda não elaborei tudo certinho, mas vamos ver. Meu maior problema vai ser na entrevista. Motivo: timides. Muita. Mas vamos ver como vai ser a andança da monografia.