Objetivo do imigrante e a isca usada para o atrair

Desembarque de imigrantes no Porto de Santos (SP), 1907

( Dando continuidade ao trabalho sobre imigração)

Praticamente todos os imigrantes vinham para o Brasil com os objetivos de: serem donos de um pedaço de terra, para trabalhar nela e tirar dela o sustento da família. Tinham a ideologia do camponês europeu livre: trabalhando em sua própria terra, obtendo o sustento da família e vendendo o excedente. Todavia, muitos dos que vieram para cá não obtiveram tal objetivo. Nem os filhos, nem os netos, e acabaram morrendo como trabalhadores assalariados dos cafezais, outros não obtiveram êxito na pequena propriedade e se tornaram  marginalizadose outros continuaram como proletários.

O imigrante vinha com ideário de se tornar um fundiário, para isso poupava o máximo que podia do que ganhava trabalhando nas  fazendas de café, para poder comprar um lote de terras. A propaganda para a atração de tais imigrantes alimentava tal objetivo de ser patrão de si, de não haver patrões, pois nela diziam que o Brasil possuia boa qualidade de terras que seriam distribuidas assim que o colono conseguisse resgatar a sua divída perante o arrendatário que havia lhe trazido para trabalhar em sua fazenda, que havia recurso para a venda, ou melhor, que havia mercado para a venda dos produtos produzidos pelos colonos.

Tal propaganda fez com que os colonos sonhassem com a obtenção de um lote de terra para o cultivo e dele tirar o sustento de sua família. Essa vontade de se tornar propietário e de trabalhar por conta própria aliou-se aos interesses fundiários e do capitalismo em expansão. Por que isso? Porque era do interesse dos grandes proprietários de terras terem mão-de-obra excedente para poderem manter a remuneração do trabalhador baixo. Outro fator que deve ser resaltado era de que o ”Império do café” criou condições para o surgimento da pequena propriedade, e quando participara desse processo o Estado e os fazendeiros tinham outros objetivos, que eram a pequena propriedade ser uma isca para atrair imigrantes e uma provável concorrente com a fazenda do café no aliciamento do imigrante, o que ocassionou os baixos salários nas fazendas, devido ao excedente  de imigrantes. Mas por que excedentes se alguns tornaram-se ”senhores de si”? Porque a pequena propriedade funcionava como um reservatório de braços com os quais o fazendeiro poderia contar quando havia colheita, e nesse aspecto muitos fazendeiro lotearam seus domínios ou limites de terras, que na verdade eram improprias para o cultivo hegemônico e que era onde o fazendeiro poderia recrutar braços quando fosse necessário.

Nas terras esgotadas o imigrante dedicava-se principalmente a produção de hortigranjeiros, procedendo-se assim a valorização dessas terras. E com o crescimento das cidades não só aumentou a procura de gêneros alímenticios, como também tornou necessário a integração econômica das terras cansadas e subutilizadas nos seus arredores, ou seja, asegurava uma valorização da terra e também o abastecimento das cidades e fazendas.

Em síntese havia três interesses no imigrante:

1°) Pequena propriedade funcionária como uma reserva de braços para o fazendeiro;

2°) Pequena propriedade como isca para atração de imigrantes e;

3°) Valorização das terras esgotadas pelo cultivo do café.