Resenha de Norbert Elias

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Resenha das obras:

ELIAS, Norbert. In: ______. A Sociedade dos Indivíduos. RJ, Jorge Zahar, 1994, p. 11-60, 127-193.

ELIAS, Norbert. In______. O Processo Civilizador. RJ, Jorge Zahar, v.1, 1990, p. 109-147.

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A sociedade é uma porção de gente juntas, mas esta sociedade seria igual em qualquer nação e/ ou igual através do tempo? Não, porque a sociedade possui estruturas diferentes, a sua formação independe dos indivíduos, ela é formada alegoricamente, sem planejamento. O indivíduo está inserido em dois campos na sociedade, o primeiro ele defende a sociedade como se fosse planejada, e a partir daí procuram para explicá-la exemplos de formação das instituições. O Estado funciona para a manutenção da ordem, e a linguagem funciona para a comunicação entre as pessoas, ou seja, tudo é criado para fins específicos e por indivíduos isolados onde houvesse um planejamento racional. O outro campo é que o indivíduo não possui um papel na sociedade, ela é uma entidade orgânica supra-individual, logo há um grande abismo entre o indivíduo e a sociedade.

A sociedade é a unidade de potencia maior e esta é formada a partir das unidades de potência menor.  A sociedade não pode ser compreendida quando suas partes são consideradas em isolamento, independente de suas relações, ela deve ser compreendida em sua totalidade. A sociedade e o indivíduo coexistem, não há sociedade sem indivíduos e nem vice-versa. Entretanto a vida em comunidade não é harmoniosa, mas as pessoas têm que aprender a coexistirem umas com as outras porque cada uma vai possuir uma função e um indivíduo irá depender de outro indivíduo. Existe uma ordem invisível, uma rede de funções, onde as pessoas são ligadas entre si tendo peso e leis próprias. A criança já nasce dentro de uma sociedade estruturada, e sua forma individual quando adulto é a forma específica da sociedade em que ela se encontra. Na sociedade os homens são suas relações, ele é um ser social que depende de outros homens, e a fala é um mecanismo de ajustamento social para o ser humano que é determinada, sua linguagem, pela sociedade. Na sociedade possui divisões entre as funções, quanto mais divisões há mais intercâmbio ocorre entre as pessoas, pois torna-se maior a sua dependência de outras pessoas para a sua vida e existência social.

No processo civilizador, Norbert Elias, aponta para o condicionamento e o adestramento que ocorre no homem desde o feudalismo ate a atualidade. Ambos são frutos do recalcamento das pulsões do homem, do avanço dos sentimentos de vergonha e embaraço, que são incorporados ao longo da historia e passam a servir de instrumento de auto-controle. Por exemplo, a faca é um instrumento bélico, mas o homem não a usa quando está comendo para matar outro homem porque ele incorporou o uso dela e se condicionou (castrou) para não a usar para ferir o outro, ou seja, o habitus de usar a faca na mesa se naturalizou com o passar to tempo. Se antes era usada pela nobreza para se distinguir das outras classes, passa a ser incorporada pelas classes mais baixas para então ser universal e depois é naturalizada como um costume pela sociedade. Existe na sociedade um controle crescente do afetivo e instintivo do ser humano, de controlar as suas emoções e suas atitudes, o ser civilizado passa a ser aquele que possui um comportamento “mais humano”, que seria definido a partir do comportamento das elites que posteriormente é incorporado às classes baixas. Se não há este comportamento mais refinado, o indivíduo passa a ser considerado bárbaro/ primitivo.

Entretanto este bárbaro, para a contra-cultura, é um ser solto, livre, enquanto que o civilizado é uma ser preso, recalcado. A contra cultura busca superar as barreiras entre a disciplina e a castração. Norbert Elias trouxe esta idéia a partir da observação das necessidades fisiológicas e do comportamento dos indivíduos a mesa. Mas ficou-me uma pergunta, será que nossos habitus, costumes seriam diferente se não houvesse este condicionamento, castração ou adestramento que sofremos? É difícil de imaginar uma sociedade “civilizada” onde não haja a opressão das vontades humanas, e mesmo assim o que seria uma sociedade civilizada e uma primitiva se não houvesse este condicionamento.

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