Individuo e sociedade

Será que você já parou para pensar de onde vem a sua motivação para estudar e trabalhar, ou melhor, da onde surgiu a idéia “do que você quer ser quando crescer”? De onde vem a idéia de individuo ou de pessoa? Não sei qual será a sua resposta, mas eu proponho uma analise.

Individuo é o ser que advêm de um processo civilizador. O processo civilizador está enraizado na sociedade, e ele se dá através de instituições ao qual desde que nascemos pertencemos a uma, a instituição família. A sociedade como um todo condiciona os hábitos humanos num processo de tortura. O individuo é um resultado de um condicionamento e na sua memória está governada pela ação, mas está ação é produto de uma tortura, o custo para isso que sofremos é o progresso da sociedade como um todo, pois este progresso se dá através da infelicidade humana.

Mas o que seria essa tortura ou infelicidade humana? Não pense em tortura física. Não é isso. Retornamos a idade media para exemplificar essa tortura ou condicionamento humano. Na idade media usava-se roupas que cobriam o corpo de cima a baixo, no momento em que uma parte estava a mostra provocava uma reação nos outros indivíduos. Outro exemplo era as turmas separadas por sexos, já que meninos e meninas não podiam estudar juntos devido a impulsos hormonais. Então a partir do condicionamento, ou do processo civilizador, ouve um condicionamento do comportamento humano nestes impulsos. De uma sociedade extremamente fechada com o processo civilizátorio, da contenção dos impulsos, formou-se uma sociedade ‘libertaria’. Ai esta a tortura, o ato de contenção de algo, o ato de não pode, proporciona um condicionamento humano que trás a infelicidade ao instinto humano.

As instituições formaram-se a partir do ato de subsistência humana. A necessidade de sobrevivência formou as relações sociais, a partir destas relações se deu a formação da sociedade, mas e o individuo? O individuo, alem da formulação acima, também é fruto de uma expectativa de cada família, ou seja, uma família cria um filho com uma expectativa sobre o seu futuro, ela vai o moldar para que em seu futuro ele aja de determinada maneira. Em outras palavras o individuo é o resultados de todos os investimentos feitos, ele não é ele mesmo, mas sim um resultado que seus antepassados(pais, avós) deram como perspectiva. O individuo é criado dentro de uma rede, ou melhor, ele está inserido dentro de uma rede, que irá variar de sociedade para sociedade assim como o processo histórico que está sociedade sofreu. Então o que quero dizer é que o individuo é produto de uma relação com as redes de indivíduos e instituições em que ele está inserido; e suas idéias são formuladas a partir da interlocução que ele exerce com outros indivíduos.

O processo civilizador se dá a partir das elites. Retomamos novamente a idade media e também a idade moderna. A elite sempre procura se distinguir das outras classes sociais, então se nas classes baixas eles comem com a mão, a elite irá se distinguir pelo uso de talheres. Se hoje é tão banal comer de talheres, antes foi algo de distinção entre classes, hoje é banal porque se tornou algo naturalizado da sociedade em relação ao individuo. Então o processo civilizador acontece de cima para baixo, no objeto de distinção que se torna algo natural com o passar dos anos.

Em síntese de tudo o individuo está relacionado com o Estado, com as instituições civilizatórias, com o constrangimento constante, onde as pessoas devêm  controlarem-se e só fazerem algo em determinados horários que são, inconscientemente, impostos ao individuo. E o autocontrole advém de um processo de constrangimento e castração, duas ilustrações são da nudez, em que o individuo exerce um autocontrole sobre si, assim como a faca, que sendo um instrumento bélico o individuo se controla para não vir a ferir o outro. Então o processo civilizador quer nos dizer que o civilizado é aquele individuo recatado, enquanto o individuo solto, que não possui autocontrole, é um individuo bárbaro. E, por fim, os instrumentos de autocontrole que são incorporados pela sociedade civilizatória é o sentimento de embaraço e vergonha.

Não escrevi isso sem base. Isto veio de uma aula de antropologia, que teve como base um treco de uma obra de Nobert Elias. Admito que não li a obra, logo pode ser que algumas coisas que estão escritas aqui estejam erradas, mas como sempre estou aberta a correções.