Confederação do Equador

Frei Caneca

Frei Caneca

Como havia prometido postar sobre as revoluções, a partir do Brasil Império, dou inicio hoje as postagens, que irão se estender por um período prolongado. O período imperial brasileiro começa com a proclamação da independência por D. Pedro I, em 1822, e estende-se ate a instalação da República, em 1889. O período imperial é dividido em fase. A primeira delas é o Primeiro Reinado, com a posse de D Pedro I ate a sua abdicação. A segunda fase é o período das regências, que são dividido em regência trina e regência una. E a ultima fase é o Segundo Reinado, com o golpe da maior idade de D. Pedro II e se estende ate a proclamação da República.

Confederação do Equador.

A confederação ocorreu em 1824, tem o caráter republicano e federalista e é chefiada pelo Frei Caneca. Ela aconteceu devido à insatisfação do povo (nordestino) com a situação econômica e com a nomeação pelo imperador de presidentes de províncias impopulares. Os revoltosos ocuparam Recife e proclamaram a sua República, logo após aderiram ao movimento o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

A Confederação constituiu-se em uma revolta de cunho separatista contra a centralização do poder imperial. Contou com a participação popular. O poder imperial reprimiu a confederação severamente, promovendo saques, fuzilamentos e assassinatos.  Entre os mortos, estava o Frei Caneca e os demais lideres do movimento.

Antecedentes a Revolução de 30

Para se entender o que ocorre entre os anos de 1929 ate os primeiros anos da década de 30, a revolução de 30, é preciso retornar, historicamente, ao período da republica velha. Por que retornar? Porque os fatores que provocam a revolução se encontram nesse período. Vamos a eles:

  • Na republica velha é onde predominava os interesses do setor agro-exportador de café, que era representado pela burguesia paulista e mineira ( a política do café-com-leite). A mercadoria tinha o seu preço variado de acordo com as oscilações do mercado internacional, havia uma dependência do capital externo. Durante os primeiros anos da republica ouve a política do encilhamento – onde produzia-se papel-moeda e distribuirá-se entre a população (de boa fé) esperando que estas investissem em industria, mas acabaram elas aplicando em outras pessoas para terem lucro e essas outras e mais outras e assim por diante; resultado foi a alta da inflação – esta economia provocou o desgaste econômico.
  • Quando chegou-se ao limite dessa política, ou seja, quando ouve a depreciação cambial na período da Campos Sales, o Governo fez, junto ao cafeicultores e credores estrangeiros, o funding-loan, onde o governo se comprometeu a queimar o excesso de papel-moeda em troca de credito internacional a juros altos.
  • Depois disso, já na crise de 29, houve o convenio de Taubaté. Onde os cafeicultores preocupados com as baixas do preço do café, mais a alta produtividade e baixa de mercado consumidor, assinaram um acordo com o governo onde este deveria comprar o café, estocá-lo e quando os preços estivesse bom, então vendia-se o café. Política da privação dos lucros e socialização das perdas.
  • Essa política teve alta rentabilidade no período entre 1906 a 1930. Neste meio tempo ouve a Primeira guerra mundial onde, obviamente, ninguém queria comprar café. Houve então uma necessidade de se ter uma industria, foi onde começou a engatinhar a industria de bens de consumo e produção. O que favoreceu o surgimento dessa industria? O retraimento do fluxo de bens vindo da Europa, mais a necessidade de bens de consumo e de produção. Não se pode falar de uma burguesia industrial, devido aos altos e baixos da industria aqui. Houve mesmo uma burguesia cafeeira.

Essa burguesia cafeeira provocou:

  • O desequilíbrio regional. Devido a política do café-com-leite, onde em um período o governador geral era da São Paulo e no outro período de Minas Gerais, assim sucessivamente;
  • A integração regional era frágil no Império e continuou frágil na Republica;
  • O Estado era praticamente o único representante de integração nacional, embora ele representa-se diretamente o interesse dos cafeicultores, como uma espécie de guardiã deles;
  • Havia a regionalização dos Estados, mas não representou uma grande ameaça para o poder central.

Em síntese, a vida política, cultural e econômica girava no eixo São Paulo e Minas Gerais. E para aqueles que não sabem o que é a política do café-com-leite eu explico a minha moda. A política do café-com-leite consiste na troca de governo entre SP e MG, em um periodo governa um representante desses Estados e no outro periodo o outro.

No próximo Post escreverei o que foi o estopim para a revolução de 30 e quem estava envolvido, e também sobre  Aliança Liberal.

Antropofagia

Quadro sobre antropofagia

Antropofagia consiste no ato de comer seres humanos, total ou parcialmente. Do grego anthropos, “homem” e phagein, “comer”. As tribos brasileiras na época do descobrimento, praticavam a antropofagia. Quando havia guerra entre tribos rivais, caso um rival fosse capturado, então começa o ritual da antropofagia.

Eu não sei qual a ordem correta dos fatos, mas mesmo assim vou citar o que acontecia. Ao chegar na tribo rival, eles lhe ofereciam uma mulher que lhe trazia comida e para dormir com ele, geralmente ela ficava grávida. O prisioneiro não podia ter nenhum defeito, senão era descartado. Seus cabelos eram raspados e ele recebia colares. Demorava um tempo ate o sacrificarem.

Na medida que se aproximava o sacrifício, as mulheres preparavam as vasilhas e bebidas, enquanto os homens se encarregavam de ir nas tribos amigas para anunciar o sacrifício e convidar os membros dessas tribos. Primeiro eles pintavam o corpo do prisioneiro. Depois a tribo realizava danças em volta da grande fogueira. Ai pelo quarto dia o prisioneiro era lavado de manhã, ai então começa o sacrifício. Em todo o tempo a tribo testa a coragem do prisioneiro, esperavam que ele demonstrasse altivez para merecer uma morte tão importante. No dia seguinte então era consumado o sacrifício, nesse dia a mulher que lhe foi oferecida se despede. O guerreiro que havia lhe capturado era quem o abatia e havia uma simbologia na forma como o morto caia. Se caísse de costas, quem o matou iria morrer, se caísse de bruços, a tribo teria uma grande futuro.

Abaixo um fragmento da obra Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden, que relata a antropofagia.

Quando trazem para casa um inimigo, batem-lhe as mulheres e criança primeiro. A seguir, colocam-lhe ao corpo penas cinzentas, raspam-lhe as sobrancelhas, dançam ao seu redor e amaram-lhe bem. Dão-lhe então uma mulher para servi-lo. Se tem dele um filho, criam-no ate grande e o matam e o comem quando lhes vem a cabeça.

Dão de comer bem ao prisioneiro. Conservam-no por algum tempo e então se preparam. (…Assim que está tudo preparado, determinam o tempo em que ele deve morrer e convidam os selvagens das outras aldeias para que venham assistir. Logo que estão reunidos todos os que vieram de fora, o chefe da choça diz: “vinde agora e ajudai a comer vosso inimigo”. (…)

Quando principiam a beber, levam consigo o prisioneiro que bebe com eles. Acabada a bebida, descansam o outro dia e fazem para o inimigo uma pequena cabana no local em que deve morrer. Ai a noite passa, sendo bem vigiado. (…)

O guerreiro que vai matar o prisioneiro diz para o mesmo: “Sim aqui estou eu, quero te matar, pois tua gente também matou e comeu muitos dos meus amigos”. Responde-lhe o prisioneiro:”Quando estiver morto, terei ainda muitos amigos que saberão me vingar”. Depois, ele é golpeado na nuca, de modo que lhe saltem os miolos, e de imediato as mulheres arrastam o morto para o fogo, raspam-lhe toda a pele, tornando-o totalmente branco e tapam-lhe o ânus com uma madeira, afim que nada dele se escape.

Depois de esfolado, um homem o pega e lhe corta as pernas acima do joelho e os braços junto ao corpo. Vêm então quatro mulheres que apanham quatro pedaços, correndo com eles em torno das cabanas, fazendo grande alarido, em sinal de alegria. Separam após as costas, junto com as nádegas, da parte dianteira. Repartem isso entre eles. As víceras são dadas as mulheres. Fervem-nas e com o caldo fazem uma papa rala que se chama mingau que elas e as crianças sorvem. Comem também a carne da cabeça. As crianças comem os miolos, a língua e tudo o que podem aproveitar. Ao guerreiro mais forte é oferecido o coração e as genitais.

Quando tudo foi partilhado, voltam para casa, levando cada um o seu quinhão. (…)

Índios antes do descobrimento

Índios

(Bom o que estou fazendo é uma resenha sobre os índios antes do descobrimento do Brasil. Se estiver alguma coisa errada, corrijam-me.)

Quando os portugueses chegaram ao Brasil havia por volta de 1 milhão a 8,5 milhões, não existe um numero preciso de quantos indígenas habitavam o território brasileiro. Havia e há varias tribos de indígenas aqui, algumas tribos tinham a dimensão e a população dos paises europeus do século XVI – também de costume e hábitos tão variados como o que havia naqueles paises. Os tupis são o maior tribo em território brasileiro, ocupando uma faixa entre o Amazonas e o Rio Grande do Sul. Dentro dessa tribo havia sub-divisões de outras tribos como: tupinambás, guaranis entre outras. Foram eles que tiveram o primeiro contato com os portugueses. Apesar de serem da mesma tribo, havia dialetos diferentes de uma região a outra. Hoje em dia o numero de indígenas no Brasil é em torno de 400 mil.

A tecnologia deles não era avançada, em comparação com os maias ou astecas. Eles congelaram no período neolítico, ou seja, eles observavam a natureza e cultivavam os animais, onde cada característica das plantas eram mais importante do que estocar alimento, quando o solo se tornava infértil, eles se mudavam, logo eles não construíam grandes casas para se fixarem, pois sabiam que iriam ter que se mudar depois de um X tempo. Eles observavam o melhor período para se plantar, tinham uma dieta com base na mandioca, usavam ervas medicinais na cura de enfermidades, cultivavam o algodão e produziam pigmentos. O principal produto da mandioca era a farinha, mas havia outros como a tapioca.

A divisão do trabalho era através do sexo. Mulheres cuidavam da plantação, do preparo do alimento e por fabricar os instrumentos domésticos cestos e panelas. Os homens construíam as casas, eram responsáveis pela derrubada da mata, pela caça, produção de armas e canoas. Nenhuma tribo tinha conhecimento da metalurgia, acho que só vai ter através do contato com os portugueses e do escambo que eles vão fazer. Em outras palavras, as tribos, apesar de distintas na língua, eram parecidas umas com as outras, ate mesmo na pintura corporal, pois determinada pintura indicava o estado e as condições, como estar em luto, nascimentos, guerras etc.

Cada tribo tinha suas regras, mas uma era comum, não havia “casamentos” entre parentes ou entre membros de uma tribo. O individuo poderia se “casar” com outro de outro grupo ou tribo, e nisso havia uma festa pela aliança de duas tribos ou grupos e caso gerassem um filho, havia mais festa, pois significava a união das tribos. Os vínculos entrem os parentes eram seguidos de rituais, que marcavam a mudança de cada individuo, como o nascimento ou a morte. No nascimento havia um trato especial ao pai, pois achavam que o filho era fruto do pai e que ele se desenvolvia na mãe, logo após o parto a mulher tomava um banho e voltava ao seu trabalho enquanto o pai tinha um trato especial onde ele ficava recluso na oca, longe de sol e vento. Os índios consideravam normal a poligamia.

Quando havia problemas entre tribos, eles ofereciam uma mulher ou um homem a outra tribo, para o casamento. Quando não conseguiam resolver então eles entravam em guerra. Era comum eles seqüestrarem as mulheres da outra tribo ou o combate entre os guerreiros. A vitória era comemorada pelo ritual de antropofagia. Os índios davam muito valor ao mito, com especial atenção ao ciclo da natureza, como a estação de chuva ou seca, colheita etc. Para cada ciclo havia um ritual onde reunia toda a tribo. Era tido como sagrado pelos índios os rituais.

Com a chega dos portugueses ao Brasil, houve uma catástrofe epidemiológica. Pois os índios não tinham anticorpos para suportaram as doenças que os brancos traziam, como a gripe. Eles então acabaram recuando para o interior do território. Apesar de terem sido taxados como mansos, houve impasses com os brancos com a questão da terra, assim como quando havia uma missa eles dançavam e cantavam atrás deles. Mas isso é pano para outro post.