L.E.R. – Lesões por Esforços Repetitivos

L.E.R.

Você pode estar lendo este post, mas estar sentindo uma dor no punho ou dedo ou ombro ou na coluna, bom você pode estar com L.E.R.   sabes o que é isso? L.E.R. é a sigla usada para lesões por esforços repetitivos, que nada mais é do que um conjunto de doenças inflamatórias que afeta a vida de milhões de trabalhadores. Foi sobre esse tema que versei na minha monografia de antropologia.

O que é o L.E.R.? L.E.R é a sigla para Lesões por Esforços Repetitivos, que é um conjunto de doenças inflamatórias provocada pelos movimentos repetitivos durante um tempo muito longo e também é um conceito que define um conjunto de doenças ou alterações funcionais que atingem a região escapular, o pescoço, os ombros, os braços, os cotovelos, os antebraços, os punhos e os dedos. Não existe uma faixa etária definida, pode afetar tanto crianças, devido ao uso continuo do videogame, como adultos, nos mais variados tipo de serviços, basta que o indivíduo fique fazendo uma seqüência de movimentos durante muito tempo. O individuo ao efetuar um dado movimento por tempo prolongado sem uma pausa acaba causando uma sobrecarga na região músculo-esquelética. Há outras causas, além do esforço repetitivo, que levam o surgimento do L.E.R., que são as más condições de trabalho, pressão por parte do chefe para que o funcionário produza mais, a má postura do indivíduo e stress.

As doenças ao qual o L.E.R. engloba são varias, as mais comuns são: tendinites, tenossinovite, bursite, síndrome do desfiladeiro torácico, dedo em gatilho, epicondilite, síndrome do ponador redondo e síndrome do túnel do carpo. Quando detectadas em estagio inicial podem ser curadas rapidamente, mas se detectada em estágio avançado a cura é nula. Existem quatro estágios das doenças que englobam o L.E.R. O primeiro estágio é quando o indivíduo sente uma pontada na região afetada. O segundo estágio é quando há uma dor mais intensa e mais localizável assim como calor na região e formigamento, mas nada desconfortável. O terceiro estágio a dor é intensa e começa a restrição a alguns tipos de movimentos, e no quarto estágio a dor torna-se insuportável e nem o descanso consegue fazer com que a dor diminua – a região acaba se tornando dolorida, sem força e deformada – aqui já não há mais cura.

O diagnostico do L.E.R. se dá basicamente no que o paciente diz ao medico, não existe um exame específico para detectar a lesão. O paciente geralmente procura um medico já em estagio avançado, vem de noites mal dormidas, estressado e aparentemente sem nenhum sinal de doença. À medida que o paciente conta desde quando começou a dor, o local que trabalha, suas condições de trabalho e o que faz lá, o medico acaba diagnosticando que esta com L.E.R.. O tratamento se dá basicamente usando antiinflamatório, as vezes aliado a um relaxante muscular, evitar fazer o movimento repetidas vezes, aliado a fisioterapia, depois que passa a inflamação.

O L.E.R. não é uma doença moderna, ao contrario do que eu pensava. Na idade média ele era conhecido com a doença dos escribas, pois estes passavam horas e horas escrevendo. Também foi conhecido como entorse das lavadeiras, pois elas aplicavam uma combinação de força, má postura, más condições de trabalho e esforço repetitivo por um longo tempo. São dois exemplos para citar que o L.E.R. não é de hoje, o que ocorreu foi a mudança de nomes dados – a doença do escribas hoje é chamada de tenossinovite, e a entorse das lavadeiras é chamada de tenossinovite de De Quervian. O L.E.R se acentuou na idade contemporânea devido à proliferação dos computadores, já que estes hoje são essenciais em qualquer empresa, o que leva os indivíduos descuidados a se sentarem erradamente em frente a ele e passarem horas e horas na frente da tela sem se movimentarem um pouco, ou melhor, quebrar um pouco a cadeia de movimentos executados ate então. O ideal, segundo os médicos que ouvi, é que a cada hora trabalhada o indivíduo pare cinco ou dez minutos e faça um alongamento nos membros superiores e inferiores. O individuo então deverá alongar as mãos, os braços, mexer nos dedos, movimentar com os ombros, se esticar um pouco e caminhar um pouquinho – isso já quebra o ciclo de movimentos e ajuda a evitar a lesão.

Em síntese, o L.E.R. é um conjunto de doenças inflamatórias que pode afetar qualquer indivíduo, indiferente do seu sexo, idade ou trabalho que exerce. Estas doenças afetam principalmente os membros superiores, ombros, cotovelos, punhos e dedos. O sexo mais afetado são as mulheres em idade economicamente ativa, mas é indiferente a profissão. O tratamento se dá através do uso de antiinflamatórios com fisioterapia, se necessário. Quanto mais tarde o indivíduo for ao médico, poucas serão as suas chances de cura, e quanto mais cedo for ao médico, maiores e mais rápida pode ser a cura para a lesão. Algumas lesões têm pré-disposição a voltarem quando o individuo voltar à atividade profissional. E o L.E.R. não é uma doença nova, mas sim uma doença em expansão devido à monotonia dos movimentos no trabalho moderno.

Ao contrario do que li os pacientes que estudei não tiveram depressão ou algo do tipo, pelo contrario, muitos tem vontade de voltar ao mercado de trabalho ou voltar a fazer as tarefas domesticas. Constatei uma vontade imensa de voltar ao mercado de trabalho e uma força de vontade além do esperado. Não vi depressão ou tristeza, mas vi queixas e inúmeras queixas relacionadas aos peritos. Queixa de negação de afastamento do trabalho, sendo que os exames constatavam a lesão alem de orientação medica para o afastamento temporário. Vi queixa no tratamento que os peritos dão aos pacientes, alguns são comparados a animais. E vi também a burocracia que é feita para conseguir se afastar temporariamente. Achei o fim do mundo, pois o inps é pago para quando se precisar ele esteja lá o beneficio para os usuários usufruir dele quando preciso, mas a historia não é bem assim. Pena que não consegui uma entrevista com um perito, para fazer perguntas a ele e ver a sua versão sobre isso.

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