Antropofagia

Quadro sobre antropofagia

Antropofagia consiste no ato de comer seres humanos, total ou parcialmente. Do grego anthropos, “homem” e phagein, “comer”. As tribos brasileiras na época do descobrimento, praticavam a antropofagia. Quando havia guerra entre tribos rivais, caso um rival fosse capturado, então começa o ritual da antropofagia.

Eu não sei qual a ordem correta dos fatos, mas mesmo assim vou citar o que acontecia. Ao chegar na tribo rival, eles lhe ofereciam uma mulher que lhe trazia comida e para dormir com ele, geralmente ela ficava grávida. O prisioneiro não podia ter nenhum defeito, senão era descartado. Seus cabelos eram raspados e ele recebia colares. Demorava um tempo ate o sacrificarem.

Na medida que se aproximava o sacrifício, as mulheres preparavam as vasilhas e bebidas, enquanto os homens se encarregavam de ir nas tribos amigas para anunciar o sacrifício e convidar os membros dessas tribos. Primeiro eles pintavam o corpo do prisioneiro. Depois a tribo realizava danças em volta da grande fogueira. Ai pelo quarto dia o prisioneiro era lavado de manhã, ai então começa o sacrifício. Em todo o tempo a tribo testa a coragem do prisioneiro, esperavam que ele demonstrasse altivez para merecer uma morte tão importante. No dia seguinte então era consumado o sacrifício, nesse dia a mulher que lhe foi oferecida se despede. O guerreiro que havia lhe capturado era quem o abatia e havia uma simbologia na forma como o morto caia. Se caísse de costas, quem o matou iria morrer, se caísse de bruços, a tribo teria uma grande futuro.

Abaixo um fragmento da obra Duas Viagens ao Brasil, de Hans Staden, que relata a antropofagia.

Quando trazem para casa um inimigo, batem-lhe as mulheres e criança primeiro. A seguir, colocam-lhe ao corpo penas cinzentas, raspam-lhe as sobrancelhas, dançam ao seu redor e amaram-lhe bem. Dão-lhe então uma mulher para servi-lo. Se tem dele um filho, criam-no ate grande e o matam e o comem quando lhes vem a cabeça.

Dão de comer bem ao prisioneiro. Conservam-no por algum tempo e então se preparam. (…Assim que está tudo preparado, determinam o tempo em que ele deve morrer e convidam os selvagens das outras aldeias para que venham assistir. Logo que estão reunidos todos os que vieram de fora, o chefe da choça diz: “vinde agora e ajudai a comer vosso inimigo”. (…)

Quando principiam a beber, levam consigo o prisioneiro que bebe com eles. Acabada a bebida, descansam o outro dia e fazem para o inimigo uma pequena cabana no local em que deve morrer. Ai a noite passa, sendo bem vigiado. (…)

O guerreiro que vai matar o prisioneiro diz para o mesmo: “Sim aqui estou eu, quero te matar, pois tua gente também matou e comeu muitos dos meus amigos”. Responde-lhe o prisioneiro:”Quando estiver morto, terei ainda muitos amigos que saberão me vingar”. Depois, ele é golpeado na nuca, de modo que lhe saltem os miolos, e de imediato as mulheres arrastam o morto para o fogo, raspam-lhe toda a pele, tornando-o totalmente branco e tapam-lhe o ânus com uma madeira, afim que nada dele se escape.

Depois de esfolado, um homem o pega e lhe corta as pernas acima do joelho e os braços junto ao corpo. Vêm então quatro mulheres que apanham quatro pedaços, correndo com eles em torno das cabanas, fazendo grande alarido, em sinal de alegria. Separam após as costas, junto com as nádegas, da parte dianteira. Repartem isso entre eles. As víceras são dadas as mulheres. Fervem-nas e com o caldo fazem uma papa rala que se chama mingau que elas e as crianças sorvem. Comem também a carne da cabeça. As crianças comem os miolos, a língua e tudo o que podem aproveitar. Ao guerreiro mais forte é oferecido o coração e as genitais.

Quando tudo foi partilhado, voltam para casa, levando cada um o seu quinhão. (…)

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Índios antes do descobrimento

Índios

(Bom o que estou fazendo é uma resenha sobre os índios antes do descobrimento do Brasil. Se estiver alguma coisa errada, corrijam-me.)

Quando os portugueses chegaram ao Brasil havia por volta de 1 milhão a 8,5 milhões, não existe um numero preciso de quantos indígenas habitavam o território brasileiro. Havia e há varias tribos de indígenas aqui, algumas tribos tinham a dimensão e a população dos paises europeus do século XVI – também de costume e hábitos tão variados como o que havia naqueles paises. Os tupis são o maior tribo em território brasileiro, ocupando uma faixa entre o Amazonas e o Rio Grande do Sul. Dentro dessa tribo havia sub-divisões de outras tribos como: tupinambás, guaranis entre outras. Foram eles que tiveram o primeiro contato com os portugueses. Apesar de serem da mesma tribo, havia dialetos diferentes de uma região a outra. Hoje em dia o numero de indígenas no Brasil é em torno de 400 mil.

A tecnologia deles não era avançada, em comparação com os maias ou astecas. Eles congelaram no período neolítico, ou seja, eles observavam a natureza e cultivavam os animais, onde cada característica das plantas eram mais importante do que estocar alimento, quando o solo se tornava infértil, eles se mudavam, logo eles não construíam grandes casas para se fixarem, pois sabiam que iriam ter que se mudar depois de um X tempo. Eles observavam o melhor período para se plantar, tinham uma dieta com base na mandioca, usavam ervas medicinais na cura de enfermidades, cultivavam o algodão e produziam pigmentos. O principal produto da mandioca era a farinha, mas havia outros como a tapioca.

A divisão do trabalho era através do sexo. Mulheres cuidavam da plantação, do preparo do alimento e por fabricar os instrumentos domésticos cestos e panelas. Os homens construíam as casas, eram responsáveis pela derrubada da mata, pela caça, produção de armas e canoas. Nenhuma tribo tinha conhecimento da metalurgia, acho que só vai ter através do contato com os portugueses e do escambo que eles vão fazer. Em outras palavras, as tribos, apesar de distintas na língua, eram parecidas umas com as outras, ate mesmo na pintura corporal, pois determinada pintura indicava o estado e as condições, como estar em luto, nascimentos, guerras etc.

Cada tribo tinha suas regras, mas uma era comum, não havia “casamentos” entre parentes ou entre membros de uma tribo. O individuo poderia se “casar” com outro de outro grupo ou tribo, e nisso havia uma festa pela aliança de duas tribos ou grupos e caso gerassem um filho, havia mais festa, pois significava a união das tribos. Os vínculos entrem os parentes eram seguidos de rituais, que marcavam a mudança de cada individuo, como o nascimento ou a morte. No nascimento havia um trato especial ao pai, pois achavam que o filho era fruto do pai e que ele se desenvolvia na mãe, logo após o parto a mulher tomava um banho e voltava ao seu trabalho enquanto o pai tinha um trato especial onde ele ficava recluso na oca, longe de sol e vento. Os índios consideravam normal a poligamia.

Quando havia problemas entre tribos, eles ofereciam uma mulher ou um homem a outra tribo, para o casamento. Quando não conseguiam resolver então eles entravam em guerra. Era comum eles seqüestrarem as mulheres da outra tribo ou o combate entre os guerreiros. A vitória era comemorada pelo ritual de antropofagia. Os índios davam muito valor ao mito, com especial atenção ao ciclo da natureza, como a estação de chuva ou seca, colheita etc. Para cada ciclo havia um ritual onde reunia toda a tribo. Era tido como sagrado pelos índios os rituais.

Com a chega dos portugueses ao Brasil, houve uma catástrofe epidemiológica. Pois os índios não tinham anticorpos para suportaram as doenças que os brancos traziam, como a gripe. Eles então acabaram recuando para o interior do território. Apesar de terem sido taxados como mansos, houve impasses com os brancos com a questão da terra, assim como quando havia uma missa eles dançavam e cantavam atrás deles. Mas isso é pano para outro post.

Monografia de Antropologia

Pois bem, a avaliação em antropologia vai ser uma monografia. Tudo nos escolhemos, o que ajuda mas… Eu não sei o que eu faço!!!! Pensei, pensei, mas minha mente não é fértil, então resolvi fazer sobre o comportamento dos pais com os filhos numa praçinha. Eis a sintese:

Tema: Família

Objeto: Pais e filhos

Observação:

  • Comportamento dos pais com os filhos em uma praça;
  • É mais frequente o pai ou a mãe levaram, por que?;
  • Quanto tempo ele permanecem na praça
  • Qual a reação da criança quando ela chega e quando ela sai.

Entrevista:

  • Leva os filhos com que frequência;
  • Por que ir numa praça e não em um shop ou em em um parque;
  • Moram em casa ou apartamento, perto ou longe da praça?

Local: Praça Isabel, A Católica.

Pois bem, esse seria a minha monografia, mas estive pensando e me surgiu também a questão dos orfanatos. Ainda não elaborei tudo certinho, mas vamos ver. Meu maior problema vai ser na entrevista. Motivo: timides. Muita. Mas vamos ver como vai ser a andança da monografia.

Revolta de uma estudante com os estudantes…

Certas coisas me revoltam, dentro de uma sala de aula. Não é porque eu e meus colegas somos estudantes de uma universidade, de renome, que devemos sair falando aos quatros ventos mal de pessoas que não tiveram a mesma oportunidade e também nós, alunos de graduação deveríamos ter respeito com os outros que querem tirar as suas duvidas com o PROFESSOR. Pois bem vamos aos fatos. Aula de sociologia, a professora  deixa claro que nós não devemos desprezar a sabedoria popular, porque nela encontramos fatos que nos iremos estudar, claro, brutamente, e nós graduandos vamos lapidar ela e aprimorar, o povo nunca esta errado, só tem uma visão diferente da nossa, mas que no fim teremos as mesmas respostas. Alunos todos quieto na sala de aula. Aula de antropologia: revolta quase que total dos alunos contra o povo. Pois bem, acho que os alunos de universidades federais não se tocam que estão estudando ‘’gratuitamente’’ devido ao papeleiro que cata, vende e compra algo, ao pedreiro que compra no super ou no boteco da esquina, a empregada domestica, ao dono de uma pequena loja, ao empresário, etc… Acho que poucos são os que sabem porque estão ali, por quem estão sendo mantidos ali. Muitos bixos metem o pau no povo, só fala dizer explicitamente que eles são burros, mas não são. Se fossem o eu eles estariam fazendo ali se eles também pertencem ao povo, se eles também são pessoas. Eles não são ets, ou será que são e estão disfarçados de pessoas??

Outra coisa que me revoltou, porque encheu o saco. Alunos, novatos que se acham donos do saber respondem a perguntas de colegas que são dirigidas ao professor. Se forem tão inteligentes tão sábios, os que estão fazendo na graduação? Não deveriam estar ali, no lugar do professor? Revolta-me ver uma pessoa tentando tirar a sua duvida com o professor e outro se interferir. Não foi uma, duas, três, vinte vezes, não. Foram em todas as aulas e sempre pela mesma pessoa. Não se toca que se é tão sabia, o que ta fazendo ali? A cena é sempre a mesma. Um colega X faz um PERGUNTA EXPLICITA AO PROFESSOR, ele abre a boca para falar e o colega Y  abre a boca e responde no lugar do professor, professor observa e não fala nada, baixa a cabeça e dá continuidade a matéria, colega X não entende e fica sem entender. Por que isso? Porque sempre tem um metido que responde. E errado em varias vezes. Eu uma pessoa que observa muito, vejo que isto causa desconforto entre quem tem duvida e quem vai responder. E muitas vezes a mesma pessoa que incorpora o espírito de professor é a mesma que mete pau no povo. Mal sabe ele que, ele só está ali devido ao povo que paga, em impostos, o estudo dele. Diz-me. Não é contraditório alguém que é pago pelo povo para estudar, e acaba desmoralizando o povo em frente aos professores e alunos? Diz-me, que tipo de professor está sendo formado? Diz-me, que tipo de pesquisador será esta pessoa? Uma pessoa contra o povo, contra o popular.

Pis bem, isso não é trabalho, é só uma critica de alguém que faz uma graduação onde dizem, pelo menos é um slogan, em que todos seres humanos são iguais, mas que no curso alguns alunos dizem o contrario. É certo alguém que se considera ‘’superior’’ a outro estar num curso assim? É certo alguém esnobar do povo tão sofrido, suprimido, sobrecarregado e sofredor? É certo alguém se achar superior ao seu colega? Acho que não. Se se acha superior, que vá dar aula e não fique em uma sala de aula aporrinhando o outro.

Imigrantes, pequeno trabalho

Imigrantes

(Bom, ai está meu trabalho finalizado.  Causo estiver falando alguma abobrinha aqui, por favor sinta-se a vontade para corrigir)

O imigrante vinha para o Brasil com  três objetivos:

1°) Ser dono de um pedaço de terra

2°) tirar dela o seu sustento e para sua família

3°) ser patrão de si.

Vamos nos situar. Europa, século XIX, feudalismo desaparece e da lugar ao capitalismo. O camponês que trabalhava para o senhor feudal emigra para a cidade, e nesta tem-se um crescimento gigante. Europa em começo de capitalismo processo de industrialização, péssimas condições de trabalho, péssimas condições de moradia, falta de saneamento básico, péssimas condições de trabalho, salário baixos e desemprego, ocorre que na soma de tudo isso acontecesse as doenças, como a malaria, febre amarela, cólera, peste negra etc, etc… Brasil, em contexto de política ideológica racista busca o branqueamento do país através da imigração européia, sob as tese de que a ‘raça’ branca é superior as outras ‘raça’. Tese sustentada pela eugenia racial e o darwinismo social, colocando as ‘raças’ negra, indígena e mestiça abaixo da branca. O Brasil então aproveitando-se das condições da Europa em desenvolvimento do capitalismo e industrialização crescente, lança campanha para a vinda de imigrantes para cá, com uma propaganda com duas caras. A primeira dizendo que o imigrante ao chegar aqui encontrara acesso fácil a terras, que são férteis, terá trabalho garantido, será patrão de si e encontrara mercado consumidor para seus produtos colhidos. Está era a propaganda lançada pelo Brasil para a atração de imigrantes, mas o que na realidade eles desejavam era a vinda de imigrantes brancos para trabalharem nos cafezais, o trabalho escravo está em processo de abolição, querem o branqueamento do país, pois só com a ‘’raça superior’’ o Brasil poderá evoluir economicamente e socialmente, e também para a habitação de terras pouco exploradas, principalmente no sul.

O imigrante tinha a visão da ideologia do camponês europeu livre: trabalhando na sua própria terra, tirando dali o sustento de sua família e vendendo o excedente. Todavia ao chegarem aqui não era bem assim. Aqueles que vieram para o sul do pais conseguiram esta visão ideológica, mas aqueles que foram para outras regiões não. Muitos foram trabalhar nos cafezais, e de lá não saíram tão cedo, pois tinham que pagar ao fazendeiro que os trocem as suas despesas de viajem, alem de tentarem juntar dinheiro para comprar um pequeno lote de terras. Alguns conseguiram juntar dinheiro e comprarem terras, outros não. Mas como se sabe, a terra entra em esgotamento depois de um certo tempo de uso numa única cultura, com o café não foi diferente. Então os fazendeiros começaram a arrendar estas terras esgotadas para o imigrante que trabalhava para eles, mas não foi por pena não. O fazendeiro e o Estado tinham outros interesses por trás, que eram:

1°) produção de policulturas, ou seja, diversidade alimentar para a fazenda e para a cidade.

2°) estoque de mão de obra, trazendo mais imigrantes e recrutando aqueles que estavam nas terras arrendadas fazia com que o preço pago ao trabalhador caísse.

3°) valorização da terra, pois com a produção de policultura a terra acaba se tornando fértil novamente ai o fazendeiro acaba pedindo mais por aquela terra arrendada.

A pesar deles terem sido enganados, eles permaneceram no Brasil, pois a Europa ainda estava se adequando ao capitalismo. Pois bem, muito imigrantes acabaram não tendo seus lotes de terras, nem seus filhos, nem netos.  Alguns imigrantes conseguiram o seu lote de terra e vantagens que o governo propagandeava, outros foram trabalhar em cafezais, outros tiveram seu lote de terras, mas acabou não dando certo e tiveram que migrar para a cidade e ficarem as margens delas, outros voltaram a ser proletários, outros conseguiram se manter através dos ofícios que tinham na Europa e que faziam aqui nos pequenos povoamentos e se expandindo a medida que aumentava a urbanização, outros acabaram morrendo assalariados. Enfim, a vida do imigrante na América não foi uma vida fácil. Tiveram de desbravar a mata, plantar em terras cheias de raízes, terem sorte com o tempo e com o tipo de plantação, se era ou não adequada para aquele solo, tiveram q ter sorte com as condições climáticas que não era o mesmo europeu, tiveram que aprender técnicas de cultivo aqui, entre tantas outras coisas mais. Doenças, desastres e outros tipo de problemas, que não eram raros, tornavam a vida do imigrante na sua colônia impossível. Inexperiência e ausência de adaptabilidade as novas condições punham todo um trabalho de meses, se não anos, a perder.

Não obstante, a pequena propriedade e a policultura desempenharam um papel importante na nossa sociedade. A policultura desempenhava um papel fundamental nos circuitos comerciais de um mercado interno que começava a se expandir. E a pequena propriedade a preencher as lacunas de uma vasta terra que não era habitada. Embora as dificuldades fossem mil, eles conseguiram vencer, pelo menos é o que nos é passado, a idéia daquele imigrante que veio sem nada, instalaram-se nas matas virgens, construíram um rancho ou dormiram embaixo de arvores, alimentavam-se de frutas nativas, da caça e da pesca, e que no decorrer de três ou mais anos puderam apresentar uma bonita casa com hortas, jardins  e que tiveram uma produção proveniente da roça ou da criação de animais para vender.  Mas a historia não mostra o lado ruim de ser imigrante. Não mostra aqueles que morreram sem atendimento medico, que foram picados pelas cobras, que morreram quando derrubaram uma arvore, aqueles que não tiveram sucesso na roça e que não conseguiram pagar as prestações dos lotes, aqueles que por diversas razões nunca conseguiram uma habitação descente, aqueles que lutaram e batalharam, mas nunca conseguiram dar uma educação descente aos filhos, enfim problemas de varias ordens que não são mostradas ao publico leitor ou que estuda. As vezes ser imigrante era uma aventura, que só o tempo iria ensinar a eles o melhor modo e época de se plantar e o que plantar também.

Por final, isso é somente um pequeno trabalho sobre a imigração no Brasil, não está aqui tudo, pois não falei de nenhuma imigração em especifico, de suas peculiaridades, culturas e etc… também não falei aqui as questões das mulheres, que não ficavam somente na casa, elas também iam para a roça plantar e capinar. Das criançs, que desde pequenos foram recrutadas para trabalhar na casa ou com os animais e que famílias grandes tinham mais chances de prosperar que as pequenas famílias. Do modo como eram feitas as casas, e de que maneira começavam a se formar os pequenos núcleos de imigrantes, sua industrialização, seus comércios, surgimento de escolas, hospitais e bancos. Não falei também do crescimento dos núcleos urbanos, já que quando não dava sorte na roça iam-se para a cidade para sobreviver. Do papel da venda, muitas vezes única forma que o imigrante tinha contato com o mundo exterior, o vendedor que trazia as noticias e as cartas. Não falei também das dificuldades de se manter uma colônia, do papel das igrejas e também dos emigrantes, filhos de imigrantes que iriam desbravar as terras, já que a pequena propriedade não dava para sustentar uma família grande.

Por fim, isto é um pequeno trabalho, que não ficou concluso, só fiz o que era mais geral. A grosso modo, só fiz o grosso do trabalho sem entrar em detalhes. Quem sabe mais adiante eu não faço um post em especifico para algumas imigrações e costumes. Vamos ver como vai ser as andanças dos meus trabalhos na graduação.

Objetivo do imigrante e a isca usada para o atrair

Desembarque de imigrantes no Porto de Santos (SP), 1907

( Dando continuidade ao trabalho sobre imigração)

Praticamente todos os imigrantes vinham para o Brasil com os objetivos de: serem donos de um pedaço de terra, para trabalhar nela e tirar dela o sustento da família. Tinham a ideologia do camponês europeu livre: trabalhando em sua própria terra, obtendo o sustento da família e vendendo o excedente. Todavia, muitos dos que vieram para cá não obtiveram tal objetivo. Nem os filhos, nem os netos, e acabaram morrendo como trabalhadores assalariados dos cafezais, outros não obtiveram êxito na pequena propriedade e se tornaram  marginalizadose outros continuaram como proletários.

O imigrante vinha com ideário de se tornar um fundiário, para isso poupava o máximo que podia do que ganhava trabalhando nas  fazendas de café, para poder comprar um lote de terras. A propaganda para a atração de tais imigrantes alimentava tal objetivo de ser patrão de si, de não haver patrões, pois nela diziam que o Brasil possuia boa qualidade de terras que seriam distribuidas assim que o colono conseguisse resgatar a sua divída perante o arrendatário que havia lhe trazido para trabalhar em sua fazenda, que havia recurso para a venda, ou melhor, que havia mercado para a venda dos produtos produzidos pelos colonos.

Tal propaganda fez com que os colonos sonhassem com a obtenção de um lote de terra para o cultivo e dele tirar o sustento de sua família. Essa vontade de se tornar propietário e de trabalhar por conta própria aliou-se aos interesses fundiários e do capitalismo em expansão. Por que isso? Porque era do interesse dos grandes proprietários de terras terem mão-de-obra excedente para poderem manter a remuneração do trabalhador baixo. Outro fator que deve ser resaltado era de que o ”Império do café” criou condições para o surgimento da pequena propriedade, e quando participara desse processo o Estado e os fazendeiros tinham outros objetivos, que eram a pequena propriedade ser uma isca para atrair imigrantes e uma provável concorrente com a fazenda do café no aliciamento do imigrante, o que ocassionou os baixos salários nas fazendas, devido ao excedente  de imigrantes. Mas por que excedentes se alguns tornaram-se ”senhores de si”? Porque a pequena propriedade funcionava como um reservatório de braços com os quais o fazendeiro poderia contar quando havia colheita, e nesse aspecto muitos fazendeiro lotearam seus domínios ou limites de terras, que na verdade eram improprias para o cultivo hegemônico e que era onde o fazendeiro poderia recrutar braços quando fosse necessário.

Nas terras esgotadas o imigrante dedicava-se principalmente a produção de hortigranjeiros, procedendo-se assim a valorização dessas terras. E com o crescimento das cidades não só aumentou a procura de gêneros alímenticios, como também tornou necessário a integração econômica das terras cansadas e subutilizadas nos seus arredores, ou seja, asegurava uma valorização da terra e também o abastecimento das cidades e fazendas.

Em síntese havia três interesses no imigrante:

1°) Pequena propriedade funcionária como uma reserva de braços para o fazendeiro;

2°) Pequena propriedade como isca para atração de imigrantes e;

3°) Valorização das terras esgotadas pelo cultivo do café.

Política de ”aprimoramento da raça” brasileira

(Dando inicio a um pequeno trabalho de imigração feito por mim.)

Final do século XIX, acontece a disseminação da política de branqueamento do país, pois o país adotou  ”teses científicas”  de darwinismo social e eugenia racial para defender o branqueamento da população como fator necessário para o desenvolvimento econômico e social do país. Elite branca da época apoiou, pois considerou como certo que o país não se desenvolveria, pois a maioria da população era composta por negros e mestiços. Havia também o conceito que a ‘raça’ branca era superior a outras ‘raças’, conciderando o negro e o índio ‘sub-raças’. A imigração chinesa era vista como um ”transbordamento de flagelos”, ela abastardaria a ‘raça’, traria vícios da imoralidade, seria um impecílio para o progresso agrícola e industrial. A imigração negra poderia provocar o reestabelecimento do tráfico negreiro e a imigração deverioa ser feita  com a gradual abolição da escravidão.

O desejo que se tinha com a imigração, além do ”braqueamento” e o ”aprimoramento da raça”, era também a colonização de terras, principalmente no sul, e a força de trabalho desses imigrantes, principalmente nas plantações de café, em substituição ao trabalho escravo.

Em carta, transcrita nos Anais da Assembléia Nacional Constituinte de 1934, Oliveira Viananos resume o que foi o ”processo de branqueamento da raça”, em resumo: ” por termos formação em que predominam dois sangues inferiores, o negro e o índio, somos um povo de eugenismo baixo, o grande problema é a arianização intensiva da nossa composição étnica. Tudo quanto fizermos em sentido contrário a essa arianização é obra criminosa e impatriótica”. A frase, aqui em resumo, foi escrita num periódo em que se falava do perigo da imigração japonesa para SP, pois com eles vieram grandes capitais empregados no ”império do café”, loteando essas terras e instalandos imigrantes lá, tal projeto foi mal visto pelos fazendeiros da época.